- Mauro Peralta - médico e ex-vereador
Na última semana, tivemos o primeiro turno das eleições e, contrariando as previsões de institutos como o Datafolha, a direita conquistou uma expressiva vitória. Flávio Bolsonaro terminou à frente na disputa presidencial, e o cenário aponta para uma possibilidade concreta de mudança no comando do país, embora a eleição ainda dependa do segundo turno. Seguindo uma tendência observada em diversos países da América Latina, como Argentina, Paraguai, Chile, Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Honduras e El Salvador, o eleitorado brasileiro também demonstrou seu desejo de mudança, defendendo a liberdade econômica, a valorização da família e dos valores tradicionais. Há um claro sinal de insatisfação com determinadas pautas identitárias e com o feminismo que, em suas vertentes mais radicais, parece ter perdido o contato com as preocupações reais da população. Afinal, como explicar a escolha de uma pessoa biologicamente do sexo masculino, como Erika Hilton, para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados?
É necessário termos um Estado mais enxuto, que respeite o dinheiro dos contribuintes e ofereça serviços de melhor qualidade nas áreas da saúde e da educação. A insegurança que assola o país, especialmente o Rio de Janeiro e diversas regiões do Nordeste, precisa ser combatida. As promessas de Flávio Bolsonaro devem ser cumpridas caso confirme sua vitória no segundo turno: redução da maioridade penal para 16 anos, classificação de facções como o Comando Vermelho e o PCC como organizações narcoterroristas, diminuição da burocracia e privatização de 95% das empresas estatais, conforme anunciado durante a campanha.
O desafio econômico é enorme. A dívida pública brasileira já ultrapassa R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do PIB, e o país tem a maior taxa de juros reais do mundo. Para enfrentar esse cenário, Flávio Bolsonaro propõe zerar o crescimento real dos gastos do governo federal sempre que a dívida pública estiver acima de 80% do PIB. É uma discussão fundamental para conter o avanço do endividamento e recuperar a responsabilidade fiscal.
O mercado financeiro já demonstra otimismo diante da perspectiva de uma mudança de rumo na política econômica: após o primeiro turno, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, renovou sua máxima histórica, enquanto o dólar recuou para menos de 5 reais. Esses movimentos refletem a expectativa dos investidores em relação aos rumos do país e reforçam a importância de um compromisso efetivo com o equilíbrio fiscal, a liberdade econômica e a previsibilidade das políticas públicas.
Também enfrentamos recordes de endividamento das famílias, com cerca de 82% delas nessa condição, e de prejuízos nas estatais. A população em situação de rua dobrou durante o governo Lula, enquanto a carga tributária e as taxações abusivas reduzem o poder de compra dos brasileiros, encarecem produtos e serviços e comprometem o orçamento das famílias. O cidadão paga cada vez mais impostos e não recebe serviços públicos compatíveis com aquilo que desembolsa. Além disso, tivemos recordes de queimadas e de assassinatos de mulheres e indígenas, indicadores que evidenciam a gravidade dos desafios sociais e ambientais do país.
Outro tema inadiável é a responsabilização dos desmandos do Supremo Tribunal Federal, a começar pelo ministro Alexandre de Moraes, cuja atuação precisa ser investigada, com respeito ao devido processo legal. É necessário mudar a legislação para estabelecer mecanismos efetivos de controle do Judiciário, garantindo que nenhuma autoridade esteja acima da lei. O eleitor deu seu recado nas urnas, elegendo uma expressiva bancada de direita no Congresso, com parlamentares que defendem, entre outras pautas, o impeachment de ministros do STF.
A corrupção e as irregularidades no governo Lula precisam ser investigadas e punidas. O dinheiro público pertence aos contribuintes e deve ser administrado com transparência e responsabilidade. Afinal, não temos políticos de estimação: cobraremos de nossos representantes a capacidade de transformar o desejo de mudança em melhorias reais para a população.
A onda azul representa uma oportunidade de mudar os rumos do Brasil. Caso Flávio Bolsonaro confirme sua vitória no segundo turno, terá o desafio de transformar suas promessas em crescimento econômico, equilíbrio fiscal, segurança pública, liberdade e melhores condições de vida para os brasileiros.
É preciso que todos permaneçam atentos, cobrem o cumprimento das promessas e assumam sua responsabilidade na construção de um país mais livre, próspero e seguro. A mudança não termina nas urnas. Ela começa quando os eleitos assumem seus compromissos e a população continua fiscalizando seus representantes.
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